domingo, maio 06, 2007

Perspectiva sobre o adjetivo Mozartiano

Antes de tudo, dissertar sobre o adjetivo “mozartiano” não é tarefa das mais fáceis, mesmo quando se “observa” sobre o ponto de vista de autores como Hocquard. Acredito que ninguém seja capaz de esclarecer totalmente o que diz respeito ao poder mozartiano, salvo o próprio Mozart... contudo, nós humanos estamos condicionado a “definir” e/ou “compreender” tudo o que nos envolve e fascina.

Hocquard, como praticamente qualquer outro biógrafo sério de Mozart, aponta as obras do compositor como algo tão magnífico que o coloca no limiar do sobre-humano. Trata da pureza de suas melodias e de sua memória pródiga. Como bem se sabe, Mozart tinha plena noção de sua grandeza como compositor na Europa. Aprendeu a compor todos os estilos existentes em sua época.

A transição do estilo galante das primeiras obras para o “absoluto” das obras da maturidade foram concebidos sob a preocupação em fazer música que satisfizesse os leigos e conhecedores. Seus mais introspectivos trabalhos estão nas obras de câmara, mergulhou nelas toda sua alma; suas óperas, mais precisamente em Don Giovanni e a Flauta Mágica, “A obra de arte absoluta”, como assim representou o que Otto Maria Carpeaux denominava. No final da vida, nos últimos anos, alguns detalhes como; a idéia da morte e os pensamentos maçônicos, atormentaram a obra do compositor ou outros como Mozart utiliza o trombone em sua música, geralmente quando quer representar algo metafísico ou sobrenatural.

No final da caminhada, todos aqueles que trilham sua busca em desvendar o segredo mozartiano, só chegam a uma única conclusão... “Mozart, o Divino”... “Mozart, o único”. Existe algo na música de Mozart que o torna anjo, que o torna demônio... isso é o “mozartiano”... não há interferência do meio em sua música, ela é pura, “engenhos abstratos do intelecto”(Holbein Menezes), Richard Wagner comentou certa vez sobre uma modulação de Mozart... “Poderia compor duas Óperas inteiras minhas naqueles dois compassos”.

A percepção que tenho sobre o adjetivo “mozartiano”, idéia está adquirida após a leitura do “Mozart” de Hocquard e de minhas próprias opiniões, está além das interpretações das técnicas usadas nas suas composições, está pura e absolutamente nas sensações, nas cores de suas melodias e harmonias, o mozartiano é o que ele, Mozart, nos faz sentir quando o escutamos. Mozart está “além” pelo simples fato de ser o único.

Um dia perguntaram a Rossini...
“Maestro, quem você considera o melhor compositor?”.
ele respondeu...”Beethoven”...
- e Mozart?” perguntaram novamente...
”Ah... Mozart é o único...”

por Paulo Couceiro